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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vendedor ético

Os carrinhos para gêmeos são relativamente caros, em relação aos carrinhos de bebê comuns, então para o vendedor é uma tentação, um carrinho vendido e ele chega na meta de vendas rapidinho!

Um cliente esteve em minha loja me consultando sobre o carrinho de gêmeos. Tinha visto um da Galzerano, numa loja aqui perto. Bem, não tinha visto muito bem, porque a vendedora não quis tirar o carrinho da caixa, pois só tinha aquele e não teria como vender o produto violado. Com vendedores como este nos meus concorrentes, fica fácil!

Alertei, contudo, para uma questão: o carrinho de gêmeos da Galzerano não é muito confortável para os recém-nascidos, pois o banco não reclina totalmente, a criança fica meio sentada, e os bebês muito novinhos não tem o pescocinho muito desenvolvido.

Além da Galzerano, que sem dúvida tem um carrinho muito bonito, sugeri ao cliente o carrinho da Dardara, bem mais em conta. Outra alternativa que dei foi usar 2 carrinhos convencionais, unidos por um conector que eu iria dar de graça. Mas a melhor solução em termos de conforto para os gêmeos seria o carrinho da Hércules, este sim um carrinho-berço.

E, claro, tem de ter um carro com porta-malas relativamente grande, talvez uma perua ou uma van ´para poder transportar o carrinho com espaço e tranquilidade. E se for só para a mamãe, atenção, os carrinhos são pesados, chegando a mais de 12 kg fácil. Imagine uma mulher sozinha, com 2 bebês tendo de colocar o carrinho num porta-malas apertado.

Além do mais, nem todo mundo faz uso intensivo do carrinho de bebê, então nem sempre se justifica gastar muito dinheiro com este acessório.


Infelizmente, o cliente não levou nenhum carrinho, mas pelo menos ele entendeu os problemas e riscos do carrinho que ele queria.


Mas a equipe de vendas fez o correto: demonstrou o produto, ofereceu alternativas, explicou vantagens e desvantagens. Tenho certeza que este cliente se lembrará de nós em uma próxima compra.

Vendedor mal-intencionado

Todo dia vem vendedor na loja, ofertando toda espécie de produtos, mas com um detalhe, nunca recebo visita na loja de vendedores de marcas vencedoras, sempre marcas mais fracas.

Hoje veio um vendedor de fraldas descartáveis, de uma marca antiga, chamada Tally Baby.

Proposta dele, compro a R$19,90 para vender a R$23,90. Imediatamente, falei que este nível de preço não é suficiente, o que ele não concordou, disse que os preços estava excelentes, que eu estaria fazendo um excelente negócio.

Mas uma análise rápida, veja o que acontece:
- comissão vendedores: 6%, considerando o custo efetivo total do empregado (salário, ´ferias, 13o. salário, FGTS, etc.)
- taxas de cartão de crédito: 4,5%
- impostos, 5% de simples federal
- custo do espaço: R$ 1,00 (considerando aluguel de R$700 por m2 e 700 pacotes de fraldas por mês)

Calculando os custos acima, o valor líquido chega a meros R$19,20 de venda líquida, menos do que paga-se para comprar a fralda.

Caso simples de vendedor mal intencionado, que quer apenas se "livrar" do problema, deixando seu cliente em situação difícil.

Como alternativa, ele sugeriu que eu não pagasse os impostos: "Nenhum cliente pede nota fiscal de fralda descartável!". É ou não é um mau-caráter?

Cartão - pequenos valores

Semana passada, estava na fila de mercado atacadista, na minha frente estava um comerciante dono de uma pequena lanchonete na periferia. Ele estava com o carrinho lotado de salgadinhos que ia revender. Ele olhou pra mim e falou:
- Isto aqui vai que nem enterro de pobre, vai rapidinho!
Enquanto a gente esperava, conversamos. Achei que ele ia vender cada pacote a uns R$3, mas ele falou que não, muito caro. Ia vender a R$1,00, e muita gente ainda reclama que era preço muito alto! Então, a margem de lucro bruta dele estava na casa de R$0,20 ou R$0,30 por pacote.

Ele até me contou que vende água de coco na loja. E que tem cliente que quer pagar no cartão, coisa de R$3,00. Qual a dificuldade neste caso? Além do valor ser baixo, a rentabilidade não é muito alta. Ao passar o cartão, o comerciante tem de pagar taxa para o cartão, coisa de 5%. E, para evitar problemas com o fisco, tem de pagar imposto, mais uns 8%, se for optante do Simples.

Imagino inclusive que o coco que ele compra vem sem nota fiscal. Então, como ele vai conseguir vender com nota fiscal, e ainda pagar taxas para os cartões de crédito e débito?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Preços baixos

Nossa loja é, por definição, uma loja de preços populares.

E mesmo com preços populares, às vezes temos dificuldade.

Camiseta e body para bebê, nossos menores preços estão na faixa de R$3,00.
É difícil ouvir que o cliente não tem o dinheiro para comprar, ou que acha caro.
E cliente pede desconto, mesmo sendo barato.
E quer pagar no cartão de crédito (ainda não aconteceu de ninguém pedir pra parcelar, ainda bem...)
E ainda quer uma embalagem pra presente bonita.

Não é fácil!